Cronologia 2: Fundação 1484 - 1532

Data

Acontecimento

 

Observações

1484

(8)

Devido à peste, D. João sai de Lisboa e ordena à Rainha que proceda do mesmo modo. D. Leonor parte para as suas casas em Óbidos

 

(A. Silva Carvalho, 1932, p. 10). Esta datação não é aceite por Fernando Correia, que situa a passagem de D. Leonor em Julho e recorda que em 27 de Agosto se dá a morte do Duque de Viseu, cunhado do Rei, em Setúbal, às mãos do monarca (Fernando Correia, 1959 d, p. 409)

1484

(8,28)

D. Leonor, de Óbidos a caminho da Batalha, (re)encontra os banhos das caldas e decide melhorar as respectivas condições

 

Data conjectural

1485

Consulta a mestre António sobre a escolha da localização do estabelecimento

 

Físico régio, rabi judeu, natural de Tavira que se convertera ao cristianismo, apadrinhado pelo Rei (M. J. Ferro Tavares, 1995, p. 26).

1485

(1, 22)

Início (suposto) das obras do balneário

 

Conjectura de Jorge de S. Paulo (I, p. 95), baseado no facto de a 22 de Janeiro se comemorar a data de casamento do rei e da rainha, que Silva Carvalho aceitou em 1932 e considerou fantasiosa em 1947

1485

D. Leonor nomeia Alvaro Dias Borges "provedor das ditas caldas"

 

Antigo escudeiro do infante D. Fernando (pai de D. Leonor), corregedor da comarca da Estremadura, procurador da Rainha em Óbidos e região. Desempenhou a função de provedor até 1495

1486

(2, 21)

Bula de Inocêncio VIII ractifica bula de Sisto IV e extende a permissão a todo o reino

 

A nova Bula (Injunctum nobis ) outorgava ao monarca a faculdade de proceder de forma idêntica em cada cidade ou povoação insigne do reino (José Marques, 1989, p. 78)

1488

(12, 4)

Carta de privilégios e liberdades a 10 moradores, dada por João II. Estabelece também um couto de 20 homiziados

 

Caldas terá "Câmara e Vereação de Juízes e Oficiais" independentes de Óbidos

1488

Novo balneário recebe primeiros doentes

 

D. Leonor deverá então ter dado início ao plano de construção de um Hospital consagrado a Nossa Senhora do Pópulo

1490

(7, 10)

Sentença dada pela rainha D. Leonor sobre a demarcação meridional das terras dos coutos e das terras da coroa, sendo partes no conflito Óbidos e a Abadia de Alcobaça

 

Baseada em parecer do jurista Rui Boto

1490

(7, 14)

D. João II faz a D. Leonor dotação de dois contos seiscentos e vinte e cinco mil reais

 

 

1490

(9, 11)

D. João II autoriza D. Leonor a deixar em testamento para obras pias vinte e oito mil escudos de ouro das suas arras

 

 

1491

(7,12)

Morte de D. Afonso, único filho de D. Leonor

 

 

1491

(12, 20)

Testamento de Alvaro Dias Borges, aristocrata obidense

 

Entre os bens de que dispõe, encontravam-se uma azenha, pisão, bacelos e respectiva cerrada, nas Caldas (S. A. Gomes, 1994, p. 44-46)

1491

(6, 23)

Carta régia de D. João II atribui às Caldas privilégio de possuir Juíz das Sisas.

 

Nomeado para o cargo o provedor Dias Borges.

1492

(5, 15)

Lançamento da 1ª pedra do Hospital de Todos os Santos, em Lisboa

 

 

1495

(9, 18)

Bula do Papa Alexandre VI autorizando a construção da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo

 

A direcção das obras do Hospital e da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo foi entregue ao arquitecto do Mosteiro da Batalha Mateus Fernandes I, a quem sucederam os filhos, Mateus Fernandes II e Aleixo Anriques, e dois netos.

1495

(10, 25)

Morte de D. João II, em Alvor

 

Sucede-lhe D. Manuel, irmão de D. Leonor

1496

(9, 3)

Súplica enviada pela Rainha ao Papa Alexandre VI, com referência a "certos banhos destruídos". A rainha pede indulgências para os visitantes da capela de N.ª S.ª do Pópulo que mandara edificar nas termas das Caldas, por ela restauradas, e nas quais fizera construír edifícios apropriados e quartos para os doentes (A.D.S. Costa, 1973, p. 307)

 

"No território de Óbidos, no lugar chamado das Caldas, diocese de Lisboa, existiam certos banhos destruídos e quase totalmente incapazes, os quais os homens não podiam frequentar nem a eles acorriam para recuperarem a saúde por falta de casas, pelo que, a fim dos fiéis cristãos ali poderem estanciar e encontrar cura, a dita rainha, movida pelo amor de Deus, fez ali edificar banhos às suas próprias custas, reparando câmaras e casas para as pessoas enfermas ali confluentes e, ainda, uma capela na qual se celebrassem missas e ofícios divinos" (S. A. Gomes, 1994, p. 23)

1496

(9, 3)

Bula do Papa Alexandre VI - Etsi profeta dicente - respondendo positivamente à Súplica da Rainha

 

O Papa concede indulgências aos que visitem a capela de N.ª S.ª do Pópulo em certos dias festivos e contribuam para a sua conservação, a pedido da rainha D. Leonor que mandara construír a dita capela nas termas de Óbidos por ela restauradas (S. A. Gomes, 1994, p. 23 e A.D.S. Costa, 1973, p. 308)

1496

(9,10)

Súplica enviada pela Rainha ao Papa pedindo-lhe que institua uma capelania privativa na capela que mandara construír nas termas das caldas de Óbidos, onde fizera construír edifícios e quartos para doentes.

 

Solicita também isenção da capela quanto à jurisdição dos priores de S. João do Mocharro, de Óbidos (S. A. Gomes, 1994, p. 23)

1496

(9,10)

Bula do Papa Alexandre VI - Apostolice sedis gratiosa - respondendo positivamente à Súplica da Rainha

 

Concedida à rainha a faculdade de nomear o capelão para N.ª Sr.ª do Pópulo, por ela construída, com isenção das jurisdições eclesiásticas de Óbidos no que respeitasse à administração dos sacramentos divinos aos enfermos e habitantes do lugar das Caldas. (S. A. Gomes, 1994, p. 23)

1496/

1497

Conclusão provável das obras do Hospital

 

Segundo Maria José Ferro Tavares (1995, p. 27) que invoca o facto de só a partir de então as bulas se referirem ao hospital, quando antes referiam casas e quartos

1497 (5, 3)

D. Manuel confirma carta de privilégios concedidos aos moradores das Caldas

 

 

1497

(6,1)

Bula do Papa Alexandre VI concedendo indulgência plenária em artigo de morte a quem falecesse no Hospital

 

A indulgência requer que os internados tenham deixado alguma coisa ao hospital [A.D.S. Costa, 1973, p. 312]

1497 (6, 1)

Bula do Papa Alexandre VI - Hospitalium et aliorum -, concedendo indulgência plenária em artigo de morte a quem falecesse no Hospital

 

A indulgência abrange também aqueles que nada tenham deixado ao Hospital e é extensiva a todas as pessoas que tenham legado alguma coisa nos seus testamentos ao hospital [A.D.S. Costa, 1973, p. 311]

1498 (1, 29)

D. Manuel beneficia o Hospital das Caldas com a possibilidade de "possuir até 300 reais de renda"

 

 

1498

Aprovação do Compromisso da Confraria da Misericórdia de Lisboa, pela Rainha D. Leonor

 

Na altura a Rainha era Regente do reino, pelo facto de o Rei se encontrar em Espanha. A Confraria da Miseicórdia resulta da reorganização de uma confraria pré-existente, a Confraria de Nossa Senhora da Piedade de Lisboa

1500

(11, 7)

Bula do Papa Alexandre VI concedendo à rainha D. Leonor que o capelão do hospital das termas das caldas de Óbidos possa receber certa pensão do hospital

 

Esta medida possibilita, por outro lado, que as ofertas feitas à capela revertam em favor do hospital [A.D.S. Costa, 1973, p. 323]

1500

Termo das obras da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo

 

Consta de inscrição epigráfica da porta de comunicação da Igreja com a sacristia

1501

(2,17)

D. Manuel torna extensivos os privilégios concedidos aos caldenses a mais 30 moradores e 10 homiziados

 

Total de privilegiados: 40. Concessão dimunuída para 30, nos finais do século

1502

(8,15)

D. Manuel eleva o quantitativo de renda que o Hospital pode possuir anualmente: 400 reais

 

 

1502

(9,10)

D. Leonor compra ao Rei as jugadas, oitavos, rendas, direitos e foros das vilas de Óbidos e Aldeia Galega da Merceana

 

 

1503

(1,23)

D. Manuel confirma a compra efectuada por D. Leonor, no montante de 251 657 reais de prata

 

Na carta régia, D. Manuel acedendo ao pedido da irmã quanto à aquisição de rendas para o Hospital, diz expressamente que este fora mandado por ela fazer " na sua vila das Caldas "

1503

Data de conclusão das obras do Hospital segundo Jorge de S. Paulo

 

 

1503

Morte de Gomes da Fonseca

 

Segundo provedor do Hospital, proprietário do casal de Belver

1503

A vila das Caldas possui já tabelião próprio das notas e judicial.

 

Documentação consultada por S. A. Gomes (1994, p. 27)

1504

Regimento do Hospital Real de Todos os Santos

 

 

1504

(6,6)

Representação do Auto de S. Martinho de Gil Vicente, na Igreja de Nossa Senhora do Pópulo

 

Festa do Corpo de Deus

1504

Primeira feira de 15 de Agosto, segundo Jorge de S. Paulo

 

A senhora de Agosto (Ascensão) é identificada como Nossa Senhora do Pópulo. A data de 1504 é conjectural (Jorge de S. Paulo, III, 207)

1504 ?

D. Leonor beneficia Igreja de Santa Maria de Óbidos com novo portal e uma torre

 

"Em data que não logramos precisar mas que julgamos situar-se no âmbito da primeira década do século XVI, a seguir à construção da Igreja de Nossa Senhora do Populo" (Teresa Bettencourt da Câmara, 1990, p. 80)

1504?

D. Leonor patrocina fundação da Igreja e Hospital da Misericórdia em Óbidos

 

"Iniciou a rainha D. Leonor a Igreja da Misericórdia de Óbidos a seguir às obras nas Caldas da Rainha e provavelmente em simultâneo com a remodelação que então proporcionava na Igreja de Santa Maria. Aventámos a hipótese de Mateus Fernandes, ou seus fihos, haverem dirigido as obras realizadas em Óbidos, ao mesmo tempo que trabalhavam nas Caldas" (Teresa Bettencourt da Câmara, 1990, p. 103)

1505

(2,21)

Sentença dada pela rainha contra os lavradores das Caldas que fossem amanhar terras fora do termo da vila

 

Em tal caso, não se poderiam eximir ao pagamento de jugada. (S. A. Gomes, 1994, p. 28)

1506

(3,8)

D. Leonor escreve de Óbidos à Câmara do Porto solicitando autorização para trazer até Salir do Porto trigo, centeio e milho, bem como galinhas, destinados aos doentes do Hospital de Nossa Senhora do Pópulo

 

(Fernando Correia, 1959 b, p. 329)

1507

Jerónimo Aires nomeado provedor do Hospital

 

(Jorge de S. Paulo, II, 346). Confirmado depois do Compromisso de 1512

1507

(11,23)

D. Leonor envia a Roma o seu capelão, Diogo Dias, com instruções para consultar o cardeal de Alpedrinha, D. Jorge da Costa, sobre o Compromisso do Hospital das Caldas.

 

"Direis da minha parte ao Cardeal D. Jorge da Costa que lhe pedimos mui afectuosamente queira ver de verbo ad verbum o treslado do Compromisso que temos feito para o Hospital da nossa vila das Caldas, o qual por suas mãos foi começado, e porque nenhuma coisa nossa não queríamos nunca se fosse possível fazer sem conselho seu e autoridade, principalmente esta do Compromisso ."

1507

D. Leonor solicita do Papa autorização para celebração do "ofício" romano na sua capela das Cadas

 

(S. A. Gomes, 1994, p. 47)

1508

Falecimento em Roma, aos 102 anos, do Cardeal D. Jorge da Costa

 

Estava em Roma desde 1479. Foi sepultado na Igreja de Santa Maria Del Pópulo.

1508

(5,12)

D. Leonor obtém do Papa Julio II o padroado da Igreja e a apresentação da vigararia

 

 

1508

(6,3)

Papa Julio II aprova Compromisso do Hospital das Caldas

 

(Saúl Gomes, 1991, p. 125 e 1994, p. 48). Esta data quererá significar a aprovação do Papa ao pedido formulado por D. Leonor em Novembro do ano anterior. Julio II delega no Arcebispo de Lisboa a análise do Compromisso e a sua confirmação (Silva Carvalho, 1947, p. 44)

1508

(2,11)

D. Leonor faz doação ao Hospital dos direitos das jugadas e oitavas de Óbidos e Aldeia Galega.

 

 

1509

Celebração das primeiras missas na Ermida de S. Sebastião

 

(Jorge de S. Paulo, III, 428-429)

1510

(5,17)

Alvará de D. Leonor contra a saída do concelho de Óbidos de carneiros, galinhas ou frangos, necessários ao abastecimento do Hospital

 

(S. A. Gomes, 1994, p. 27, Jorge de S. Paulo, II, 246)

1510

Ano provável da execução do triptico da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo

 

Segundo Vitor Serrão (1991, p. 106), para quem a ornamentação da Igreja deve ter sido iniciada pela rainha em 1508 e concluída em 1512

1510

(2,10)

D. Manuel concede ao Hospital isenção de sizas

 

 

1511

(3, 21)

Carta régia de D. Manuel instituindo a vila das Caldas e demarcando o respectivo termo

 

Segundo J. S. Machado (1993, p. 58-59), esta carta foi inspirada por documento elaborado ao tempo de D. João II (presumivelmente na sequência do conflito entre Óbidos e Alcobaça, a que se reporta a sentença de D. Leonor de 1490)

1512

(3, 18)

Compromisso do Hospital assinado pela Rainha

 

Confirmado pelo Arcebispo de Lisboa, D. Martinho da Costa (irmão do cardeal de Alpedrinha, D. Jorge da Costa), a 5 de Maio e pelo rei D. Manuel a 20 de Julho do mesmo ano

1512

(5, 4)

D. Manuel confirma privilégios aos moradores das Caldas

 

 

1512

Jerónimo Aires, capelão e confessor da Rainha, nomeado Provedor do Hospital

 

Já deveria exercer essas funções antes (S. A. Gomes, 1994, p. 48, Jorge de S. Paulo, II, 346)

1518

(11, 1)

D. Leonor vem para o Hospital, fugindo da peste em Lisboa

 

"Assistiu a Rainha neste Hospital desde o primeiro de Novembro de 1518 até 14 de Março de 1519 em as casas que estão hoje sobre as dos contos e refeitório (...). Foi tanta a sua caridade com os pobres enfermos que lhe não sofreu o coração assistir estes quatro meses e meio sem que se curassem pelo medicamento dos banhos, posto que fossem na maior força do Inverno e contra o que tinha ordenado em seu Compromisso" (Jorge de S. Paulo, I, 207)

1525

(11,17)

Morte da Rainha D. Leonor

 

 

1526

(7, 14)

D. João III confirma privilégios aos moradores das Caldas

 

 

1527

Numeramento de D. João III: Caldas com 70 vizinhos no corpo da vila e 14 nos arredores

 

 

1528

Obras no Hospital: nova enfermaria para doentes febris e acrescentamento da enfermaria para religiosas

 

 

1529

Correição ao concelho das Caldas determinado pela rainha D. Catarina

 

A primeira correição, depois da elevação a vila, efectuada pelo ouvidor das terras da Rainha, o jurista Pero Vaz (Jorge de S. Paulo, III, 482)

1531

Primeira inspecção ao Hospital por mandado régio

 

(Jorge de S, Paulo, III, 18)

1531

D. João III visita pessoalmente o Hospital

 

(Jorge de S. Paulo, II, 92)

1532

(6, 29)

D. João III entrega administração do Hospital à Congregação de S. João Evangelista

 

 

1532

(12)

Criação do Tribunal da Mesa da Consciência e Ordens

 

Tutela a administração do Hospital